“Porque todos pecaram e carecem da glória de Deus.”
Romanos 3:23
O dogma da Imaculada Conceição, definido por Pio IX em 1854, afirma que Maria foi concebida sem pecado original, em antecipação dos méritos de Cristo. É um dogma romano relativamente recente, rejeitado por protestantes e — historicamente — discutido até dentro do próprio catolicismo.
O que o dogma afirma exatamente
É importante distinguir: a Imaculada Conceição não se refere ao nascimento virginal de Jesus, mas à concepção de Maria no ventre de sua mãe Ana. O dogma afirma que Maria, desde o primeiro instante de sua existência, foi preservada da mancha do pecado original.
Ausência de base bíblica
Nenhum versículo bíblico afirma ou implica a Imaculada Conceição de Maria. Romanos 3:23 ('todos pecaram') não faz exceções. Lucas 1:47 mostra Maria chamando Deus de 'meu Salvador' — o que pressupõe que ela precisava de salvação, como qualquer ser humano.
A discordância interna da tradição
Tomás de Aquino — o maior teólogo medieval — rejeitou a Imaculada Conceição, argumentando que Maria foi santificada depois de concebida, não antes. Bernardo de Claraval também se opôs. O dogma foi contestado internamente por séculos antes de ser definido como artigo de fé em 1854.
