“E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.”
Mateus 10:28
A questão da imortalidade da alma atravessa filosofia e teologia há milênios. Platão argumentou por ela a partir da natureza imaterial da alma. O Novo Testamento a pressupõe, mas com uma perspectiva diferente: a esperança cristã não é a fuga do corpo, mas a ressurreição corporal.
A visão platônica
Para Platão, o corpo é a prisão da alma. A morte é libertação. A alma, sendo imaterial e simples, não pode se desfazer como o corpo composto. O Fédon apresenta múltiplos argumentos para a imortalidade, culminando na descrição do destino das almas após a morte.
A perspectiva bíblica
A Bíblia não deprecia o corpo como Platão. O ser humano é uma unidade psicossomática. A esperança não é sair do corpo, mas ter o corpo ressurreto e glorificado. Paulo chama o corpo de 'templo do Espírito Santo' e a ressurreição de Cristo de garantia da nossa.
Estado intermediário
O que acontece entre a morte e a ressurreição? A tradição cristã fala de um 'estado intermediário' — a alma consciente na presença de Deus, aguardando a ressurreição. Paulo descreve esse estado como 'estar com Cristo, o que é muito melhor' (Fp 1:23), sem ainda ser o estado final.
